15 de abril de 2007

AINDA O INDIEJUNIOR

Para a criançada e pais desesperados, o grupo de gente insensata que gosta de alegrar a vida aos baixinhos criou o blogue :)


Para dar uma ideia... digamos que o espírito é mais ou menos este:
01 Surfin' USA.mp...

12 de abril de 2007

O AUTO-DE-FÉ DO MENINO TONECAS

Está a ser bonito o auto-de-fé que se levantou contra o primeiro-ministro. Desta vez não foi acusado de comer à sexta-feira nem de ter sido visto à meia-noite a dançar nu nos bosques. Ainda assim,as razões para o pretenderem queimar são as mesmas usadas há quinhentos anos: estás a mexer no meu bolso, ou no meu poderzinho, ou nos meus privilégios concedidos por Deus.
Não tenho dúvidas que o lado mais negro dos portugueses acabará por o apanhar. Como sempre aconteceu ao longo da história. Algum Távora martirizado se há-de arranjar para justificar a heresia de vir dizer alto o que o homem da rua sempre disse. E pior: fazer.
Sócrates não percebe que os portugueses não querem que as coisas melhorem. Gostam da mediocridade e da miséria. Para cantarem o fado e continuarem a soletrar s-a-u-d-a-d-e.
Nem que para isso tenha que vir um sempre-em-pé dar-lhes vozinha.

11 de abril de 2007

INDIE JUNIOR


Como já vai sendo hábito, o INDIELISBOA dedica uma secção especial de filmes aos mais novos. O público entre os 3 e os 15 anos vai poder assistir a um conjunto de sessões especificamente seleccionadas por grupos etários. Entre 20 e 28 de Abril, no São Jorge e no Fórum Lisboa. Destaque para os concertos dos Coty Cream, nos dias 21 e 25 de Abril. A banda vai recriar ao vivo a totalidade da banda sonora do THE KID, de Chaplin.
Quem tiver filhos, irmãos e sobrinhos, faça favor.Informações aqui.

ps: outra alternativa é ir à cinemateca de Lisboa, onde a famíla Benard da Costa preparou como contraprogramação a "cinemateca júnior", nos mesmos dias. Os petizes vão ficar catitas a assistir a coisas que deram tanto trabalho a encontrar como "DUMBO" (em princípio não será em VHS...) e "ANIKIBOBÓ". Diria até ser caso de alguns largarem o jogo do eixo, da macaca ou do pião, abanarem a árvores das patacas e pedirem: "Ó paizinho, leve-nos a ver o animatógrafo!"...

8 de abril de 2007

GATOS (NESTA PÁSCOA)

Existo. No meio das plantas. Um olho em ti, o outro em mim.




Sabem mais do que nós. Sempre. Dormem e brincam. Mas de noite ficam activos. Desvaloriza-se muito o que acontece no escuro...

7 de abril de 2007




Quando se sai da cidade a terra parece que estica. Estica-se. Faz pontes entre a terra que é terra mesmo e o céu que é céu, com nuvens e ventos.
Por momentos pensamos ser outra coisa mais do que uma construção mental vestida conforme as épocas...


Por questões de sanidade mental vou, daqui para a frente, evitar-me de comentar Portugal. Vou fingir que não desprezo profundamente o momento histórico nem os seus intervenientes.
Caso contrário, seria a úlcera certa.
E com o tempo bom a aproximar-se, era o que mais faltava.

27 de março de 2007

WELCOME BACK DOUTOR SALAZAR

Hoje, falei para uma sala cheia de gente "da cultura". Enquanto a maioria enchia a mula no buffet do pago pelo teatro, procurei chamar a atenção para as trevas que se foram estendendo sobre nós, fruto do desprezo de tantos e tantos governos pela Cultura. No meio da chinfrineira e do barulho do mastiganço percebi uma coisa muito simples: está-se tudo a cagar. Querem o pão e o vinho sobre a mesa. De preferência via subsídio.
Hoje, de cima de um palco, desisti do meu país.
FOTOS - HALF PINAY




THE DEATH OF CAPTAIN AMERICA, 1941-2007





MY LAYER UNDERNEATH

26 de março de 2007

SEMPRE AS MESMAS PERGUNTAS

Ao encontrar fotos antigas de desconhecidos fico sempre a pensar: quem será, onde está, com que idade morreu? Porque aceitou ser fotografado?


25 de março de 2007

RAPIDINHAS
1. Enquanto escrevo, arrasta-se o programa GRANDES PORTUGUESES, na tv. Por mais voltas que se dê, tudo vai sempre parar ao Salazar. Não sei se ganhou a coisa ou não, mas que é o mais falado, isso...

2. Ainda na televisão, vejo mais um programa de humor do Herman. Repito o sentimento de estar perante alguma coisa de patético que me assolou nos anos 8o quando Nicolau Breyner tentava ter graça com travestis cantores.

3. Pedem-me para escrever sobre o teatro português. Não me lembro de nada de interessante. As palavras "pretensão", "tédio" e "umbigo" assolam-me.

4. Não há novidades com a árvore dos vizinhos de baixo. Ainda restam algumas flores e, como já vi melhor, só posso deduzir que se esteja a formar fruto.

23 de março de 2007

SILLY SEASON

Não tenho tido nada para colocar neste blogue, porque nada aconteceu. Está tudo suspenso. Como uma tarde pesada de calor, as nuvens em cima, a escurecerem de quando em vez o céu. E nós por baixo a abanarmo-nos com o que apanhamos à mão.
Da cozinha vem o ruído de conversas sobre impostos, aeroportos, reality shows de nerds e meninas imbecis. Mas nada disso conta...
A silly season chegou mais cedo, este ano.

17 de março de 2007

NÃO HÁ ANIVERSÁRIOS SEM PRENDAS...

E estas são todas para as crianças e jovens... nos anos 70.

1:



2

3: E para os menos novos...


4: e mais esta.

E como tudo tem de se pagar, uns momentos de publicidade

16 de março de 2007

OK... E VAI MAIS UMA VELA!

Este mês faz o Prazer_Inculto 4 anos.
Apareceu na altura em que éramos muito poucos em Portugal. E é talvez um dos únicos que resistiu desde esses dias. A Coluna Infame sumiu-se, o Blogue de Esquerda mudou-se, a Janela Indiscreta fechou-se definitivamente.
Na verdade, a não ser que se queira dar recados ao mundo ou obter visibilidade, como o fazem os políticos seguindo o movimento iniciado pelo ortograficamente a desejar Pacheco Pereira, isto dá trabalho e não tem utilidade de maior.
Mas foi divertido verificar a evolução desde a "pré-história" dos blogues (com "e"), ver como os jornalistas e os "homens de cultura" começaram por desprezar ostensivamente este meio e agora todos têm um blogue, quando não mais.
Os blogues também trouxeram ao de cim o pior que havia em Portugal. Gente obscura que leccionava coisinhas em faculdades ou tentava, em vão, que as editoras publicassem qualquer coisa sua, tornaram-se "autoridades" devido ao veneno que lhe corrompia a lama. O povo adora ver os répteis a destilar. Ajuda a esquecer as suas próprias patinhas de lagarto triste.
Para mim, tem-me servido para dizer, na hora, o que penso do meu país. E de aprender com alguns dos comentários que acompanharam os quase dois mil textos que aqui publiquei. Obrigado aos que se deram ao trabalho de me corrigir ou iluminar sobre os mais diversos assuntos.
Também tem sido uma ponte com os meus leitores espalhados pelo mundo. Através dos comentários ou do e-mail do blogue recebi muitas centenas mensagens ao longo destes anos. Umas boas, outras nem por isso, mas quase todas sinceras. O meu obrigado também por isso.
E vou continuar, enquanto que me parecer interessante, a escrever aqui. Até logo.
JÚLIO DINIS

Para acrescentar mais um prego ao caixão que a neo-crítica de vez em quando se entretém a construir-me, tenho de confessar que ando a reler o Júlio Dinis. Mais: estou a gostar de reler a sua obra. Sobretudo, porque me está a obrigar a deitar fora o preconceito de uma certa "ligeireza" que me foi surgindo com a ausência de rever o seu trabalho. Tinha-me esquecido que a sua prosa é bastante mais complexa do que algumas ideias românticas que hoje nos parecem simples e fora de moda.
Para os traumatizados com a "Família Inglesa" do liceu e com as adaptações dos anos 90 da RTP, recomendo a revisitação de A Morgadinha dos Canaviais. Está lá tudo. Nomeadamente um autor moderno e liberal.
TARDE DE MAIS
A Alexandra Solnado vai à Madeira fazer um atelier subordinado ao tema: "Como se conectar com o Céu sem deixar de andar por aqui".
Tenho para mim que chega tarde. O Alberto João Jardim anda a desenvolver a teoria desde os anos 70. E o seu workshop ainda por cima tem sido financiado...

13 de março de 2007




DA MINHA JANELA 3

Hoje começaram a cair as pétalas. Um dia destes haverá frutos espalhados pelos ramos.

11 de março de 2007

V - DE VITÓRIA DO PIMBA

Para alguns será coincidência o facto de termos como presidente da república, Cavaco Silva, o proprietário (ex?) da vivenda Mariani, Santana Lopes ser notícia constante do telejornal ao arejar a boca, falando, e o resultaddo do Festival RTP da Canção.
Cada um poderá avaliar. Mas, mesmo com todas as deficiências e derrapanços de talento, ainda assim, sempre se elegeram canções escritas pelo Ary dos Santos e outras defendidas por cantores a sério, ao longo de todos estes anos.
A vitória de uma criatura chamada Sabrina, a cantar uma canção do Emanuel ("Nós Pimba, nós pimba!") é a chegada ao topo do bolo da cereja ranhosa em que nos transvestimos. Uns chamar-lhe-ão "coincidência",outros, como eu, "conjuntura"...
Se não, vejamos:

DA MINHA JANELA 2

Talvez seja uma ameixeira...
Hoje, por cima das flores, uma borboleta castanha.
Por baixo, a vizinha que tem dois filhos que já trabalham, graças a Deus, e que não têm sido do pior como filhos, graças à mesma divindade---

9 de março de 2007

O LABIRINTO DO FAUNO
É um bom filme. Uma fábula que consegue manter o tom adulto (por vezes, até bastante violento) quase até ao fim. Este, dispensável, na minha opinião.
Mas ainda assim vale a pena ir ver como anda o cinema espanhol de grande público.
DA MINHA JANELA 1

A Primavera insiste em chegar ao quintal do meu vizinho do primeiro andar.
Vou manter um olho na floração da macieira. Nunca se sabe o que pode acontecer.

6 de março de 2007

O MEDO DE EXISTIR

Tudo neste país nos pede que rastejemos. Mesmo quando queremos caminhar de cabeça erguida. "Não ouses!". "Não inventes", "Não vejas para lá do descoberto". E se fizermos isso, safamo-nos. Somos capazes de se safar.
Se caminharmos como vermes, no sulco deixado por outros vermes na lama, progredimos. Podemos até ser louvados. Suma cum laude.

Pensei durante muito tempo que a razão para este "medo de existir", como disse o filósofo Gil, residia na ditadura recente da qual nos livramos há apenas 30 anos. Julgo poder afirmar agora estar enganado. Salazar, os salazaristas e os salazarentos trémulos são apenas a imagem daquilo que na verdade somos, enquanto país. Na verdade, Portugal não É a coragem dos que partiram nas caravelas. Portugal assenta nos que ficaram a gritar na praia, que voltassem para trás, que para lá da horizonte só poderia haver monstros. Tudo no meu país me pede que não cresça. Que seja mais um. Que não proponha. Que não questione. Que não arrisque.

Ele não tem culpa, o meu país. É feito de lama comezinha. Povoado com carneirinhos mansos.Como as ondinhas da maré baixa, num domingo morno de fim de Verão.
Eu é que não sei se sou capaz de me conformar com a meia-vida que me propôem.

Venham mais cinco ...

2 de março de 2007


BOAS NOTÍCIAS

Saiu a tradução de "Wise blood", de Flannery O'Connor. Levou pouco mais de cinquenta anos a chegar.
SCHOOL OF ARTS

Ao almoço, converso com um professor sobre a utilidade da formação pedagógica ministrada via Escola Superior de Educação. Do lado de lá encontro a certeza que esta "profissionalização" foi totalmente inútil. Que é mais um pro forma sem ligação à realidade. Depois eu falei-lhe da minha experiência enquanto formador pedagógico (em cursos ministrados por empresas privadas, claro) e de como pode ser gratificante e útil este processo para todos. Ficou claro que eram dois assuntos diferentes.

No Metro, duas miúdas, teens. "A escola tem tudo a ver com sorte, tás a ver?!", "Ya", "E se os setores gostam ou não da gente. A setora de português do décimo não gostava de mim...", ajeita as jeans, triste, "Ya, não gostava...".
A escola é um bolinho chinês, portanto.Depende dos papelinhos.

1 de março de 2007

COMENTÁRIOS
Não sei o que se passa com os comentários. Algumas pessoas não conseguem deixá-los. Isto costuma ser cíclico, com o comentar.com. Esperemos que se resolva em breve, porque o prazer_inculto é, como sempre foi, uma porta aberta.

27 de fevereiro de 2007

POR MOMENTOS ACHEI QUE ERA EU QUE ESTAVA A FICAR VELHO...


...agora sei que são os agentes que estão cada vez mais novos.

21 de fevereiro de 2007

POR OUTRO LADO...

talvez ainda haja esperança para os que vivem no mundo da fantasia e pensam que o país se endireitará apenas com o esforço dos outros. Que o seu esmagador talento os iliba de caminhar sobre a terra...

20 de fevereiro de 2007



Alberto J. Jardim faz o habitual número da chantagem. Não precisava dele. A atentar pelo cortejo carnavalesco do Funchal que não se poupou a invectivar os "cubanos" por os "terem roubado", já dava para perceber que a amestragem continua a funcionar. O homem agita o osso e os seguidores saltam. Enfim. Também se fala do "povo madeirense", que é uma coisa que me faz confusão, já que não ouço falar do "povo transmontano", nem do "povo ribatejano" e estamos todos debaixo da mesma bandeira.
Esta demissão do pequeno e alarve ditadorzeco deveria servir como uma oportunidade para o "povo madeirense" dar uma a volta que lhe falta no seu desenvolvimento: atingir a democracia. Ainda que viver em democracia signifique partilhar a luta e as dificuldades do resto do território nacional. Mas, a atentar no que tenho ouvido, não acredito que seja desta que a lucidez ali chegue.

16 de fevereiro de 2007

FLANNERY O'CONNOR

Levou tempo a chegar a Portugal, mas já cá está. UM BOM HOMEM É DIFÍCIL DE ENCONTRAR (Cavalo de Ferro), na tradução de Clara P. Correia. A ler com urgência.
O CORSÁRIO IMPLACÁVEL
O ciber-governador da Califórnia e o seu ajudante Jackie-Passepartout-Chan atacam sem piedade o tenebroso mundo dos dvds piratas, lol! AQUI

14 de fevereiro de 2007



Em O MAR POR CIMA, uma das personagens caminha pela rua enquanto se ouve uma música na rádio. Foi mais ou menos isto que escutou, enquanto o vento afunilava na direcção do abismo.

12 de fevereiro de 2007

SISMO


A Terra tremeu em Portugal hoje de novo.
Não bastava o resultado do referendo de ontem que veio abalar o fundamento da doutrina que diz bastar um padre, uma freguesia atrasada e um patrão de barriga cheia para que nada se altere...
SIM

Pelo menos três tentativas depois, desde o início da democracia em Portugal, o "Sim" à despenalização do aborto venceu. Separamo-nos assim da Polónia e da Irlanda, os nossos parceiros europeus na promoção do aborto clandestino.
Helàs para as forças mais hipócritas da sociedade portuguesa!
Mas não se iludam os que se alegraram ontem. Muitos vão ser os que vão boicotar o processo e a aplicação da lei, nesta primeira fase. Vamos saber de casos de médicos e outros técnicos de saúde que driblarão as doentes de maneira a que o prazo legal seja ultrapassado e elas fiquem sem recurso. Outros vão ter atitudes moralmente superiores ao receber quem decidiu que não podia levar aquela gravidez para a frente. E isso vai causar sofrimento. Mas sempre foi assim. Antes que as águas sosseguem é preciso que a lama se levante do mais fundo da condição humana.

8 de fevereiro de 2007

MOCIDADE, MOCIDADE

Nunca pensei ver o dia em que Salazar seria votado pelos portugueses como "uma figura notável".
E contudo era mais do que previsível. O Tempo tudo faz esquecer aos mais velhos. E os mais novos imaginam-se os seus inventores.
Fica para trás o país amordaçado, os escritores que eu conheço que foram presos e torturados, a fome e a ignorância que consumiram a geração dos meus avós e encheram a dos meus pais de marcas físicas e morais. Para trás fica a compreensão do porquê de não registarmos as queixas nas repartiões públicas, de aturarmos o comportamento arrogante de políticos e de acharmos que isto é mau para nós porque na verdade não pode ser bom para todos.
Enquanto escrevo isto, penso na dor que me causou levar reguadas na escola diante da figura do Craveiro Lopes. E no ar desorientado do professor primário quando estourou o 25 de Abril e percebeu que isto agora, se calhar tinha que lá ir com inteligência...

7 de fevereiro de 2007

A MISÉRIA QUANDO NASCE É QUASE PARA TODOS

Duas boas notícias: os bancos privados aumentaram os lucros em mais de 30%, no momento da maior crise económica, e também ficámos a saber que há pelo menos 9000 portugueses que têm mais de um milhão de euros na conta (em Portugal, claro. Faltam os outros que têm a maior parte em offshores...).
Fico contente de saber que apesar de todas as pessoas que eu conheço não terem dinheiro suficiente para chegar ao fim do mês, ainda há quem se governe.
Antes assim!

ps: por certo que esses mesmos bancos devem ter ficado felizes com a nova medida governamental que vem decretar o fim da mama da retenção dos cheques por vários dias. Aquela coisa do "tomem lá o cheque que recebi e, se fizerem favor, libertem-no para a semana", tem os dias contados.
DIZ QUE É UMA ESPÉCIE DE... NÃO

Ao menos o medo da vitória do Sim já fez os partidários do lado oposto inflectir a posição. Passaram da ideia de que uma mulher que aborta é uma valdevina que merece ir para à prisão depois de se ter esvaído em sangue na Emergência de um hospital, para uma valdevina que merece sofrer os desaires dos consultórios de vão-de-escada, mas a quem basta apenas humilhar com ficha na polícia.
Deve ser o surgimento do que se costuma chamar "sentimento cristão".

5 de fevereiro de 2007

PORQUE VOU VOTAR "SIM"

Porque sou obrigado. Porque esta deveria ser uma questão colocada apenas às mulheres em idade fértil e não aos homens. Quem carrega no seu interior durante nove meses e para o resto da vida no exterior um filho são apenas as mulheres. Mas já que tantos se empenham em continuar a manter as mulheres à rédea curta, debaixo do pezinho da lei, cabe-me a mim estar do outro lado.
E, sobretudo, porque a gravidez não prevista ACONTECE. Mesmo entre gente esclarecida e cautelosa. E quando tal sucede, é preciso decidir se temos coração e coragem para acolher mais um ser neste penoso vale onde vivemos. E, às vezes, a resposta é não.
(SÉRIE) COMO RECONHECER: o aeroporto de Lisboa?

a) O único europeu em que as pessoas serão chateadas se se lembrarem de declarar alguma prenda para a família.
b) O único europeu em que se fuma debaixo dos anúncios de Não Fumar, perante a impassibilidade dos seguranças.
(SÉRIE) COMO RECONHECER: um balcão da TAP em Paris?

O único que tem 4 pessoas diante dos balcões de bagagens mas apenas duas fazem check-in. As restantes distraem as primeiras com comentários e histórias privadas.
(SÉRIE) COMO RECONHECER: Portugal

Estamos uma semana no estrangeiro e quando voltamos só nós é que nos alterámos ligeiramente

26 de janeiro de 2007

BABEL
Consegui, finalmente, encontrar tempo para a ver mais uma narrativa fragmentada do cineasta Alejandro Gonzalez Iñárritu (o nome, impronunciável, é digno do título...). Um filme que reflecte bem alguns dos problemas de incomunicabilidade com que o mundo actual se debate. E as consequências violentas desse diálogo de surdos. Os Estados Unidos aparecem como a imagem de um império que se desmorona diante dos nossos olhos.
O trailer está aqui.
VIVER DE TRÁS PARA A FRENTE

Encontrei este texto na net. Além de ter alguma graça, faz sentido:

"I want to live my next life backwards:You start out dead and get that out of the way.Then you wake up in an old age home feeling better every day. Then you get kicked out for being too healthy.Enjoy your retirement and collect your pension.Then when you start work, you buy a mansion on your first day.You work 40 years until you're too young to work.You get ready for High School: drink alcohol, party, and you're generally promiscuous.Then you go to primary school, you become a kid, you play, and you have no responsibilities.Then you become a baby, and then... You spend your last 9 months floating peacefully in luxury, in spa-like conditions - central heating, room service on tap, and then...You finish off as an orgasm."

23 de janeiro de 2007


ESTÁ A CHEGAR O CORVO

Como de costume, por esta época ando às voltas (e o resto da equipa, igualmente) com a selecção de curtas do IndieLisboa. Já nem me dou ao trabalho de dizer que este ano ainda vai ser maior e mais variado do que nos anos anteriores. Quem quiser saber mais vá aqui.
E agora se me dão licença tenho ali uma pilha de filmes suecos à espera de ser visionada...

22 de janeiro de 2007

PROJECTO GUTENBERG

Já está disponível em português, O Projecto Gutenberg, a mais antiga biblioteca electrónica do Mundo, na Internet. Segundo me informou o Ricardo F. Diogo: "Os milhares de livros-e disponibilizados gratuitamente no PG são produzidos por voluntários de todo o Globo, sozinhos ou no sítio de revisão colectiva Distributed Proofreaders.A nova versão pretende aumentar as taxas de literacia e a produção de livros electrónicos gratuitos no Mundo de Expressão Portuguesa.Espera-se, dentro de uma década, ocupar a terceira posição no número de obras em línguas europeias. Um objectivo ousado, que depende da capacidade de mobilização de toda a Comunidade Lusófona. Qualquer pessoa pode ser um voluntário. Apenas precisa de um livro velho. E de amor pelas Letras em Língua Portuguesa. Mais pormenores nesta página."
Eu já visitei e fiquei cheio de vontade de descarregar alguns dos melhores textos produzidos ao longo dos séculos em língua portuguesa. Recomendo que façam o mesmo
CIMA DA LEI

Ao escutar o repugnante depoimento do chefe do sindicado dos juízes, defendendo a sentença de seis anos de prisão para o pai adoptivo que recusou entregar a filha ao desconhecido pai biológico (que por sinal, de acordo com as imagens televisivas, mora num belo tugúrio...), voltei a comprovar que esta classe se considera acima da vida real. Um casal que crie uma criança não pode ser considerado como família, apesar do consentimento da mãe biológica, se não tiver passado pelo calvário do processo de adopção. Não interessa se provaram amar e respeitar este novo filho. O que conta é o acto de parir e a bênção de homens e mulheres que vivem de acordo com o que está escrito em livros. Por isso, as cadeias estão cheias com gente que de toda a evidência deveriam ter tido outro destino. E também por isso, continuarão a aparecer bebés no lixo, crianças torturadas por mães jovens e impacientes e outras abusadas por famílias perfeitamente legitimas.
Não sei se o sentimento que toda esta ?legitimidade? me provoca poderá ser classificado de ?anarca?. Mas que me mete nojo partilhar o mundo com esta gente, mete...

17 de janeiro de 2007


COISAS DE NORTE E SUL

Já o disse, mas repito: gosto do Norte do nosso país. Do resto de autenticidade que perdura. Não sei se é da pedra ou do frio ou do cheiro intenso do iodo nas praias com nevoeiro, mas ainda resta ali qualquer coisa.
Para um homem do sul, esta ideia não está mal. Na verdade, o que eu gosto é do melhor deste país: do mar dos Açores e da vegetação nas praias do Alentejo; da comida de Trás-os-montes e do Minho, do pão de Mafra e da Vidigueira. E, mais ao longe, do Portugal imaginário e amado que vive no coração dos nosso emigrantes.
CAVACO COM O GANGES À CINTURA

O nosso Cavaquito e a sua Maria lá foram à Índia. Carregadinhos de patrões, os proprietários (ex?) da vivenda Mariani para lá andam cheios de confiança em dar lições financeiras ( e de poesia, no caso da nossa primeira dama) aos indianos. Pena que estes estejam a crescer a uma taxa de 7,5% ao ano, enquanto nós marcamos passo.
E a cultura também foi bem representada, na figura de uma fadista que cantm êxitos da Tonicha mas atirando a cabecita bem penteada para trás. Estou a dizer isto, mas acho bem que o casal a leve, em sinal de agradecimento. Afinal, enquanto mandatária para a juventude, foi uma das pessoas que os meteram em Belém.

ALGUÉM QUE ADOPTE A JUSTIÇA...

Provavelmente terá sido por uma questão formal, o desfecho do caso de Torres Novas. A juíza deve ter sido forçada pela forma como o caso se apresentava a proferir aquela sentença. Passa assim a ser necessário retirar uma criança aos seus pais afectivos, para a entregar a um pai biológico que nunca lhe pôs a vista em cima. Isso já aconteceu antes. O valor do "sangue" a sobrepor-se ao do afecto. A condenação a seis anos de prisão por "sequestro" é ridícula. Digna dos actos mais emblemáticos da nossa magistratura...
Enfim, cada país tem a justiça que merece.
UM PROF PARA TUDO

Por já ter visto a aplicação noutros países tenho algumas dúvidas sobre esta ideia semi-peregrina de prolongar o professor único na sala de aula até ao 6º ano. E o que se lhes pedirá em mestrados para ensinar as criancinhas raia as provas de entrada nos Comandos... Vamos lá a ver se o programa dos miúdos que acompanhará a "mudança radical" também se preocupará com coisas desaparecidas como a responsabilização pelos actos praticados, o respeito pelas diferenças e a tomada de consciência de que toda a recompensa é precedida de esforça honesto...

16 de janeiro de 2007

GRANDES QUALQUER COISA

Depois de ter visto um burro a tocar violino (citando um antigo amigo) já nada parecia poder supreender-me. Mas afinal, vejo a ministra da (cof, cof) educação de Santana Lopes nomeada como uma das "Grandes Portuguesas", à frente da Paula Rego e da Vieira da Silva... Como nunca vi a senhora ao vivo, só me resta pensar que ela terá mais de 1, 90m. Tirando isso, não estou a ver a possibilidade de grandeza. Oh, valha-me o divino!
DESAPARECIMENTO

De Ray-Güde Mertin, agente literária de quase todos nós, portugueses, brasileiros, angolanos, etc.
Profunda conhecedora do melhor que se escrevia em língua portuguesa a Ray defendeu e acompanhou internacionalmente diversas gerações de autores.
Ficamos todos mais pobres.

11 de janeiro de 2007

PESSOAL E TRANSMISSÍVEL

O Carlos Vaz Marques é um bom profissional da rádio.
Teve a simpatia de ler e de me perguntar coisas sobre o RIO DA GLÓRIA.
Para os interessados, aqui fica o link.

10 de janeiro de 2007

ABRE O GUARDA-CHUVA!

Consta que um prédio na martirizada Quarteira se inclina para o suicídio. Ganhou o nome de "Torre de Pisa de Quarteira", por ter um afastamento (ou aproximação ao solo) de 30cm.
Interrogado sobre as medidas a tomar, o presidente da cãmara explica que os proprietários vão ser intimados a fazer obras de recuperação e como o prédio é recente estes, por sua vez, devem pedir responsabilidades ao construtores. Quanto aos fiscais que deveriam ter avaliado a consistência do solo e se os materiais de construção propostos tinham sido respeitados, nem uma palavra. A incompetência (e eventual corrupção) é para esquecer. Quem vier atrás que apague a luz.

9 de janeiro de 2007

O NÃO-MOVIMENTO

Basta olhar para os protagonistas dos diversos movimentos, para as frases escritas a rosa em outdoors municipais para perceber que a futura liberdade de escolha não é nem um direito adquirido, nem está ao alcance de todos.
Por outro lado é bom ver como os homens, sobretudo banqueiros (absolutamente sem ligações aos grupos religiosos ou apreço pelo cilício) se interessam pelas questões das mulheres... Gente com tanta vontade de proteger o sexo fraco... Mais generosidade deste género só na Arábia Saudita.
JOÃO PINTO 2
Se ainda houvesse alguma esperança na existência de um pingo de vergonha no mundo do futebol, o resultado da telenovela abaixo mencionada é gritantemente elucidativo. O senhor aceitou que as suas declarações anteriores eram falsas DEPOIS de saber que o a sua dívida (mais de 600 mil euros) estava fora do alcance dos contribuintes.
Tudo relativemente dentro da "legalidade". Claro que se um de nós, cidadãos de baixo e médio rendimento, dever 50 cts às Finanças seremos perseguidos com cartas registadas, processos e penhoras.
A não ser que tenhamos advogados espertalhões, claro.

4 de janeiro de 2007

REFORMAS

No mesmo dia em que o jogador João Pinto lá foi meter os pés pelas mãos e dizer que se calhar era capaz de ter recebido alguma coisinha (tipo 400 mil contos) sem dizer nada ao fisco, que é a gente por interposta pessoa, os jogadores ameaçam com greve se não forem para a reforma aos 30 anos. O desgaste rápido e tal. Este governo não tem mesmo sentimentos para com os nossos deuses intocáveis. E a argumentação de que existem centenas de profissões que também poderiam pretender o mesmo tratamento não colhe. Primeiro, porque se trata de FUTEBOL (vénia prostrada), segundo, porque não se pode tratar toda a gente bem... Deviam ficar quietinhos e deixar futebolistas e deputados ir descansar quando se vissem cansaditos.
Falta de sensibilidade, pá!

2 de janeiro de 2007

E HÁ DO OUTRO LADO DO ANO...

Na verdade, o que eu quero dizer mesmo é que se dermos o nosso melhor (o melhor mesmo, não a nota mais forte ou mais agressiva) se a meia-dúzia de não-alienados (ou que lutamos por isso) nos unirmos, poderemos melhorar as coisas. Isto é, escrevermos coisas com interesse, pintarmos bons quadros, contribuir para que a justiça nos tribunais onde trabalhamos funcione de forma mais justa, recebermos nas repartições públicas o público com mais humanidade e vontade de ajudar, nos hospitais e clínicas tratarmos os que sofrem como pessoas... que sofrem, então, 2007 será melhor do que 2006. Mesmo que a maior parte do país e do mundo tussa com desagrado e nos agite o punho na cara :)
Bom ano, amigos!

31 de dezembro de 2006


2007

Um ano difícil chega ao fim. Horribilis a muitos títulos. A crise financeira veio para ficar, apesar da loucura natalícia nas lojas. O pior dos portugueses veio ao de cima e o "salve-se quem puder" está mais forte do que nunca.
Foi o ano do aparecimento descarado da "crítica light", a movida pelo desprezo total pelo mérito dos autores e pelo despeito pessoal. Gente do mais medíocre publicou livros que afirmam não ter o país, à excepção dela própria (dona de uma ficção inexplicavelmente recusada por todas as editoras...), escritores a sério. Os que cá andamos somos todos uma merda e a salvação virá das suas construções de lama. Para grande surpresa, estas afirmações foram recebidas e amplificadas com aplauso ou com uma cumplicidade reveladora.
Sobre este assunto, ficam registados dois dos votos de Miguel Sousa Tavares no EXPRESSO para o próximo ano: "Que, em todos os sectores da vida pública, o talento, o mérito e o trabalho triunfassem sobre a inveja, a incompetência e a mediocridade". E o segundo: "Que o país se concentrasse na defesa daquilo que é essencial: a língua, a cultura, a educação, o território, o património e a paisagem". Não creio que estes desejos se concretizem, pois como afirma Clara Ferreira Alves na mesma página "Um grande ano de 2007 seria aquele em que deixássemos de ter o desejo, a necessidade, a obrigação, o nojo de partir". Porque "isto" não vai mudar. E "isto" é Portugal.
Por isso, para os mais sonhadores desejo que se mantenham no ar, no território das nuvens, lá, onde as vozes dos predadores não chegam. Para os que preferem andar com os pés na terra, votos de muita coragem, porque o lixo trazido pela maré baixa vai continuar a colar-se à cara das pessoas honestas.


"Narcisus", Caravaggio

30 de dezembro de 2006

PENA BUSH

O presidente dos states já veio afirmar que o enforcamento de Saddam "vai ser bom para a paz mundial". Ao ouvir isto e ver as imagens do suplício percebemos que na Europa já não estamos no lugar histórico-medievo de onde o ditador provinha, nem tão pouco no mundo de faroeste dos USA que tantos tomam como modelo de desenvolvimento.
Repugnante.

29 de dezembro de 2006

PALAVRAS PARA QUÊ? É UM ARTISTA PORTUGUÊS E USA... O QUE PODE

"Quatro sociedades de desenvolvimento criadas pelo Governo, constituídas com capital público, contraíram este mês junto da banca um empréstimo no valor global de 500 milhões de euros. A operação não necessita de autorização do Governo, mas acaba por agravar indirectamente a dívida da Madeira. Aliás, esta não é a primeira vez que o governo regional se socorre desta forma de desorçamentação ou engenharia financeira. As sociedades de desenvolvimento foram criadas para contornar o endividamento zero imposto pela antiga ministra Manuela Ferreira Leite...."
in DN(o de Lisboa, óbvio)

28 de dezembro de 2006

ALL IN THE FAMILY

Numa altura em que os tribunais portugueses continuam a fazer questão em "ser cautelosos" no afastamento de pais fisicamente abusadores, presumo que "para ver se se emendam...", em que milhares de pessoas aguardam a sua vez na longa fila da adopção, uma outra criança foi morta (presumivelmente, claro) vítima de maus-tratos. O cretino preconceito do predomínio do sangue sobre o amor causa e continuará a causar vítimas.
Até ao dia em que os legisladores metam os preconceitos bíblicos e o moralismo abraanico na gaveta e comecem a perceber que há pais e pais.
E que para sermos dignos desse nome temos de nos esforçar todos os dias.Fazê-los é fácil, amá-los e protegê-los é que custa. E, já agora, que anda por aí muita gente que tem mais condições de coração do que muitos "naturais".

20 de dezembro de 2006

DICIONÁRIO DE NOMES FAMILIARES

"Família" é tudo. O que vem de trás e ficará para a frente. A certeza de não estarmos com as raízes a apodrecer em água estéril. Que quando todos fugirem ao nosso toque leproso, haverá um irmão, ou uma filha, ou, se tivermos sorte, ainda uma mãe ou um pai que nos lavarão as chagas ignorando o cheiro dos nossos corpos e impedindo que reabramos as feridas com as nossas próprias mãos. São ainda aqueles que puxámos para o interior da caravana sem abrandar o passo.

Se existisse um dicionário de relações familiares teria entradas assim:

FILHOS- O que sai de dentro às mães e dos olhos aos pais. Camada que recobre o coração de forma permanente e indelével. Prolongamento de nós sendo outro. Razão mais que suficiente para renunciarmos à solidão humana.

IRMÃOS- Castigo inicial que se transforma em apoio lateral com os anos. Aquele ou aquela que estará do outro lado da linha telefónica - ou do que vier a ser inventado - a pedir ou a dar ajuda. Pelo menos até que a sua nova condição familiar o/a não consuma. Quem nos dá a certeza de que nem sempre fomos assim.

PAIS- Aqueles que estavam quando ainda só eles estavam. Os que recuaram quando outros chegaram. Os que avançaram quando outros recuaram. Os que se esqueceram da idade e das dores à vista das nossas dores e sem olhar à nossa idade. Os que vão estar aqui até que, seguros pela nossa mão, deixem de o estar.

AMANTE/AMIGO/AMIGA/HOMEM/MULHER- Todo o que nos ama para lá das nossas perfeições. O elo mais frágil da cadeia. Aquele em que nos apoiamos com mais força por ser do mesmo tamanho que nós e estar treinado no nosso passo de saltador de valas inundadas. O que pode mudar e quase sempre muda. O indispensável.

18 de dezembro de 2006

10
foi o número (aproximado) de takes que Lili Caneças exigiu ao operador da Tvi para que a mostrassem a entregar 4 mantas aos sem-abrigo junto à Cidade Universitária.
Queria provavelmente mostrar o seu lado bom...

AINDA O RIO

Para quem não acredita em tudo o que lê, aqui fica a entrevista à SIC.
O ANO DA BESTA

Alberto João Jardim estrebucha que este é o "ano da besta". Esta referência ao seu anus horrível assentará naturalmente no anúncio do fim do seu reinado com o dinheiro dos outros. Mas há motivos para lhe dar razão sobre 2006. Um deles é que até o João César das Neves já escreve contos.
Aqui, a prova do horror.
RECOMENDAÇÃO INTELECTUAL
Se acreditam na possibilidade de vir a gostar de lesmas cantoras que vivem nos esgotos, então avancem sem medo para o filme Flushed Away (Por Água Abaixo).
Um divertimento pegado. E não é só por ter baratas que lêem a Metamorfose do Kafka...
Lol!

16 de dezembro de 2006

PERÚS

Já se sabe quem serão os perús perdoados por George Bush neste Natal? Os felizardos que irão viver para o calor da Flórida?
Devem ser de origem iraquiana, com certeza...



Ah... espera, não é no Natal... É no Thanks Giving... Bom, alguém deverá ser perdoado. Provavelmente um dos milhares de negros condenados à morte que aguardam a sentença.
FRIO

Tenho os dedos gelados de escrever sobre o meu país

14 de dezembro de 2006


THE QUEEN

Um belo filme de Stephen Frears . Entra-se de pé atrás, preparado para a xaropada real e sai-se convencido.
Um dos filmes mais seguros deste realizador.

13 de dezembro de 2006

A LUZ ARTIFICIAL DAS LÂMPADAS

Este natal vai ser diferente.

Vamos dar pulseiras de ouro um ao outro e fantasiar que ainda nos amamos. Vamos cobrir a mesa com bolo-rei, broas de mel e rabanadas, enquanto sorrimos às crianças estonteadas que somos nós correndo à volta da mesma mesa. Ligar alto a televisão para não ouvirmos a chuva que cai na casa. No interior da nossa própria casa.

Este natal vamos descongelar um peru e enfiar-lhe no peito aberto pão, castanhas e as suas próprias vísceras (banhadas em vinho do porto, pois claro, para que não saibam a entranhas e o corpo de onde vieram as não rejeite, por impuras). E quando a gordura arder sobre a pele sem penas vamo-nos concentrar no cheiro para não pensarmos que na rua ao lado dorme, sobre um cartão, um outro corpo imerso em álcool. Este natal vamos de novo ser caridosos e beijar o pé do menino enquanto nos sentimos a melhor pessoa à face da Terra. Os lábios bem apertados para que não nos tomem por fracos capazes de entender que cada um tem os seus próprios pés e que só houve Um capaz de beijar sem escolher.

Este natal vamos enrolar as pérolas à volta do pescoço e simular que exibimos o coração. Ou, para lá do condomínio, carregar o carro do hiper com coisas que não poderemos pagar mas cuja dívida será como um colar de pérolas em volta do pescoço.

Este natal vamos ser humanos voltar a fingir que nos interessa mais alguma coisa do que travar o avanço inexorável da nossa morte.

12 de dezembro de 2006


A SAIA DA CAROLINA TEM UM DRAGÃO PINTADO

Que chatice, agora que o Ministério Público já estava a arranjar as coisas para deixar o processo dos apitos e dos árbitros e dos construtores civis e dos autarcas, criar pó e morrer, vem a mulher abandonada pôr a boca no trombone.
Até o Procurador Geral da República se "mostra preocupado".
Se calhar não vai poder ser tudo abafado como previsto
Chatice! Estas gajas não têm compreensão para assuntos sérios. Futebol e corrupção e assim.
E o pior é que de momento não se pode simplesmente mandar dar-lhe uma sova...
Vão ter que pensar noutra estratégia. Provavelmente formal, ou não vivêssemos numa justiça de papel.

11 de dezembro de 2006

NUNCA É DE MAIS

agradecer aos professores deste país que fazem o favor de mostrar os meus textos aos alunos, pedir-lhes que comentem ou façam trabalhos em seu redor. Se isso ajudar de alguma forma a criar ou desenvolver o amor pela Literatura e pelo Conhecimento, então muito obrigado.
Nenhum de nós está a mais no combate contra a ignorância galopante.
DE CESARINY E DAS TREVAS REINANTES

Recebi e-mail do meu amigo Perfecto Quadrado, uma das autoridades mundiais do estudo da literatura portuguesa, habitante das Canárias que é terra de mais sol do que cá. E conhecedor do trabalho de Cesariny como poucos.

"
Morreu-nos o Mário (Cesariny). As trevas, como dizia Pascoaes, são cada
vez mais trevas, o que causa grande regozijo nos cadáveres adiados que
procriam na caverna."

Respondi-lhe que era tudo verdade. Mas que as trevas sempre precederam a luz. A ignomínia está espalhada por cima da ignorância, mas nunca nos atingirá a todos.
Seria contrário à natureza humana.

9 de dezembro de 2006

DIA BOM

Numa terra em que toda a gente se queixa que não a deixam fazer nada, foi bom carregar estantes de ferro encontradas no lixo e que agora servirão de teia para projectores. Recortar cartões que serão utilizados como palas para as referidas luzes. Empurrar sofás para cá e para lá enquanto discuto com a minha colega co-realizadora os melhores planos que iremos filmar amanhã com a mini-Dv que nos emprestaram. E amanhã, ao fim do dia, estaremos com o resto dos voluntários cansados e sem dinheiro para cattering ou seja lá para o que for. Mas estaremos um passo à frente dos que usam o seu tempo para se lamentar ou tentar destruir os que imaginam como inimigos.
E isso, companheiros, ajuda a dormir em paz :)

7 de dezembro de 2006

TOP LITERÁRIO

Se houvesse dúvidas sobre o iliteracia dos portugueses bastaria olhar para o top da Fnac que tem entre os primeiros lugares (desde há semanas) as últimos dois milhões de páginas do José Rodrigues dos Santos, o livro de queixas do Santana Lopes e um romance sobre a vida de um cão.


ps: alguém me pode informar se para fugir de Portugal ainda se tem de ir "a salto" ou se já se pode ir pela fronteira?
O PEOPLE DAS ARTES

Andava há uns tempos deprimido com a minha aparência. Felizmente que uma "figura pública" resolveu meter mãos à obra e mudar o que temos de feio em... feio.
Um milagre de Natal. Acho
http://luisacastel-branco.blogs.sapo.pt/

6 de dezembro de 2006

OU COMEM TODOS OU NÃO HÁ MORAL

As finanças andam a decretar buscas a empresas de construção por suspeita de evasão fiscal.
Nâo! A sério?
Se encontrarem alguma coisa ficarei muito espantado. Construtores corruptos?
Daqui a pouco vão começar a dizer que há autarcas igualmente corruptos que lhes facilitam as negociatas...
Onde isto haveria de chegar...

30 de novembro de 2006

FUJA-SE DA LEITURA

Por andar distraído só agora reparei que o único programa sobre livros da televisão pública foi banido da antena. Sim, existe um outro que também fala e recomenda livros, sem que esse seja o seu objecto.
Sinto flexInseguro num país em que NUNCA um escritor é convidado para telejornais nos canais generalistas (o cabo, felizmente, vai abrindo excepções), e o lançamento de um livro de ficção NUNCA é notícia. Quanto muito será o fait-divers à volta do lançamento.
Não posso crer que não exista em Portugal nenhum Bernard Pivot. Alguém que reúna o dom da palavra, algum conhecimento literário e uma forte assessoria por detrás.
E já que só ouço falar nos valores (inflaccionados) necessários para se fazer seja o que for, pergunto quanto custam uma mesa, 4 cadeiras, um pano de croma atrás e o uso de técnicos e equipamento que de qualquer maneira já será pago?
Assim nunca mais...
EXCERTOS RIO DA GLORIA 1




Pedi ao actor Carlos Gomes que lesse um excerto do romance que mete livros em avançado estado de degradação, freiras e tentativas amadoras de acabar com a fome dos bichos da prata...

29 de novembro de 2006

SOME E SEGUE
Todos os dias se aprende. Mesmo a contragosto. O quotidiano como um banco da escola onde todos os dias tem de se estudar matemática e física, mesmo se gostaríamos de nos ficar pela leitura e interpretação de texto.
E nunca se pode faltar. Nem ficar doente.
E desconfio que as férias também se acabaram de vez...

27 de novembro de 2006

O 31 DE ALCÂNTARA

Nesta edilção do jornal Expresso, Luisa Schimdt alerta para a situação da construção do empreendimento vendido como Alcântara XXI. Mais uma ponta do icebergue da pavorosa governação lisboeta de Clown-Lopes e Carmona Rodrigues. A coisa não só tem atrapalhado o trânsito como estará edificada sobre um leito de cheia, uma zona de aterro inundável, um solo de aluvião, um corredor eólico, um braço de mar e uma falha sísmica. Já se pode antever que mais dias menos dias, os yupees que ali gastarem os muitos milhares de contos de cada apartamento irão por água abaixo, terra abaixo ou céu acima. Não que se perca muito com o assunto, provavelmente. Mas ainda assim vai ser uma trabalheira para os bombeiros e o trânsito ficará péssimo por esses dias.

ps: a sorte desta jornalista é não morar num país da américa latina. E o azar não morar num sítio instruido. No primeiro caso já lhe teria acontecido alguma desgraça. No segundo, os seus avisos já teriam sido ouvidos e alguma coisa feita para minorar os danos. Mas por aqui, neste país de pantomineiros o vento leva-lhe as palavras. Vai-se a ver, Portugal está instalado num corredor eólico...

26 de novembro de 2006

CESARINY...

não foi apenas o poeta surrealista, o pintor. Foi também o homem descarado que insistia em esfregar a sua ânsia de se mostrar vivo nas nossas provincianas caras.
Descansem as almas pudicas que já podem mandar inaugurar uma rua com o nome dele.


"Faz-me o favor...

Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.

É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és nao vem à flor
Das caras e dos dias.
Tu és melhor -- muito melhor!--
Do que tu. Não digas nada. Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê. "

M.C. V.

24 de novembro de 2006

ARTISTAS DESPROVIDOS

Como não há meio de verem qualquer medida que prove que existem, quanto mais que têm direitos, as principais associações e sindicatos dos profissionais do cinema, doteatro, da música, da dança, do circo e de outras artes do espectáculo, unem-se para reivindicara criação de um regime laboral e de segurança social que se adeque àsespecificidades do sector e preencha o vazio legal existente.A Plataforma das Organizações Profissionais das Artes do Espectáculo e Audiovisual convoca, assim, todos os interessados a estarem presentes no próximo DIA 27 de NOVEMBRO, SEGUNDA-FEIRA, às 18h30 noTeatro da Comuna (Praça de Espanha, em Lisboa) para o lançamento de uma petição unitária que procure chamar a atenção para os problemas do sector.
A BOFETADA
Parece que uma das sociaites que nos andam a insultar há anos com o seu desprezo levou um estalo dado por um arrumador.
Acho que era urgente que se descobrisse onde está esse malvado. E se a coisa se confirmar irmos lá, severamente, dar-lhe uma moedinha. Dez milhões delas, para ser mais exacto.
Dizer NÃO à violência, em resumo.

23 de novembro de 2006

O PAPEL DO ESTADO NA CULTURA

Isabel Pires de Lima, a ainda ministra da cultura em Portugal, vai estar hoje à noite na Casa Fernando Pessoa a perorar sobre o assunto em epígrafe.
Provavelmente, poderia resumir o seu discurso a "Comer e Calar". Não há grande diferença entre a actual equipa do ministério e a presidência de Américo Tomás no antigo regime. Salazar mandava e o homem vinha cortar fitas, dar a cara e apoiar a desgraça.
Pode ser que alguém pergunta à senhora se ela tem consciência que o reprovável na actuação do seu gabinete não é ter reduções no orçamento mas sim não dar aos agentes da cultura qualquer ideia que possa reequilibrar o processo. Limita-se a acenar que sim a Sócrates (que remédio), a gerir dossiers que vinham do tempo da inenarrável Teresa-Cansada-da-Guerra-Caeiro e a meter os pés pelas mãos. O desalento causado entre aqueles que lutam todos os dias para se manter vivos e afastar o país das trevas é cada vez maior.
Creio sinceramente que deste lado do Atlântico também sofremos de desilusão lulista. E, para fazer rima, sem fim à vista.

22 de novembro de 2006

GATOS

Os gatos fedorentos romperam um terreno que resistiu a todos os governos. Com o apoio da direcção de programas da RTP (por uma vez, a mostrar coragem e ousadia). Ao fazerem (e deixarem passar) o maravilhosamente achincalhante sketch do Santana Lopes, fizeram história. Pela primeira vez na televisão nacional brincou-se descaradamente com um político. Que é o mesmo que dizer que nos rimos de nós mesmos.
Bravo.
ps: trabalhar o guião nas partes que intercalam os sketches, em vez do improviso desajeitado, ainda reforçaria mais o programa.
CULTURA 1

Acabou-se a festa da música. As enchentes para ouvir os autores clássicos e os melhores intérpretes. Gente a correr pelos corredores para escutar um quinteto de cordas... Vem aí um sucedâneo. Mais barato. Se será igualmente eficaz estaremos cá para ver.
O que dispensaríamos estar a ver era a actual ministra da cultura. Só aparece para defender os cortes orçamentais que o primeiro-ministro determina.
Afinal, ela revelou-se uma boa escolha. É... como hei-de dizer... "entalada" todos os dias e dá a cara para dizer que até gosta. Esquece-se que se espera também de um ministro uma palavra de alento para os que já não tinham quase nada e vão ficar ainda com menos. Ou que não pareça tão satisfeita por ser comida por parva.
CULTURA 2

Hoje disseram-me uma coisa extraordinária. "Quem tem interesse em divulgar os livros são os escritores". Aparentemente não interessam a mais ninguem neste mundo. Aos media, de certeza, que muito pouco. Fazem o jeito, são simpáticos, mas está enraizada a ideia que a literatura não muda o mundo. Este desprezo pela palavra escrita é o resultado de uma sucessão de governos ignaros e economicistas saídos do pós-trevas salazarentas. Só gostaria de sussurrar aos ouvidos dos jornalistas e dos donos de rádios, televisões e jornais: "Bíblia", "Mein Kampft", "O Capital"...
A literatura é tudo. Porque "é nela que se reflecte o céu"

17 de novembro de 2006

O MESMO PAÍS 2

Não me lembro de ter visto na televisão pública o poeta Gastão Cruz que lançou um livro há pouco ou o José Agostinho Baptista, outro grande poeta que também teve um livro recente. E os dois escrevem com raridade.
Contudo, ontem, vi em prime time, um imbecil que já nos desgovernou a todos, a propósito do lançamento de um rosário de queixas qualquer...

Também não dei pelo facto de Bastardia da Hélia Correia ter recebido um prémio literário...
Mas vi noutro prime time um pateta de orelhas grandes a contar como é que se pode ganhar um ordenado chorudo num cargo público enquanto escreve calhamaços jornalights...
Interessante, as escolhas neste país... Que é o nosso.
O MESMO PAÍS

"
Mais de 30 em cada cem alentejanos vivem na pobreza, isto é, 180 mil pessoas, numa população de 535 mil habitantes", especificou António Murteira, tendo como referência os residentes na região com rendimento mensal até 300 euros, o que perfaz dez euros diários."
in Público

"O Governo Regional da Madeira vai gastar 6,6 milhões de euros nas festas de Natal e fim de ano"

ibidem

14 de novembro de 2006

LANÇAMENTO, LISBOA

Para os mais corajosos, sábado, na Fnac do Colombo, às 17 h.
Não há beberete, mas também não terão fotógrafos da Caras a tapar a vista. Parece-me razoável, não? ;)
SARAMAGO NO JL

Boa, a entrevista do José Carlos Vasc. ao Saramago, na última edição do JL. Velhos amigos permitem-se a uma franqueza que reverte em benefício do leitor.
Entre muitas frases que nos permitem conhecer a matéria com que moldou as suas narrativas, temos também acesso à origem da melancolia. E, para os mais distraídos, o elucidar daquilo que muitos tomam (também me aconteceu, em tempos, perceber assim) por arrogância e vaidade. É antes o contrário.
E Lanzarote, um lanzarote qualquer, é para muitos nós mais do que um acaso ou possibilidade. Quase um presságio que acabará por tocar outros. Mesmo sem nobeis.

9 de novembro de 2006


AUTO DA FÉ

Como português interessado em livros não quero ficar de fora da nova moda literária. Nem pensar! Lançada recentemente, a moda do escrutinar livros de sucesso à procura de falhas ou repetições está em alta. Gente que não seria capaz de descrever literariamente um burro, se tivesse um espelho, passa agora os dias de lupa em punho à procura do erro. Esta moda, da crítica light, nascida do anonimato dos blogues é na verdade a manifestação simples de uma característica nacional: a pseudo-delação pelos medíocres. Quem estudou a história da perseguição aos judeus em Portugal sabe o que aconteceu a milhares de pessoas, cercadas de gente desta. Acusando disto ou daquilo, apossavam-se depois estes abutres dos despojos do supliciado. Aqui, nem isso. Quanto muito o prazer da lama.
Agora é com repetições e plágios.
Se ser português é ser iníquo, também não quero ficar de fora. Por isso, aproveito já para denunciar um caso complicado em que VÁRIAS pessoas se plagiaram. Os nomes dos miseráveis são (os que consegui apurar): São Mateus, São Joã0 e São Marcos. A história é IGUALZINHA: um tipo que nasce num estábulo e que morre na cruz. Até o nome é o mesmo! Por favor, se alguém puder escrever artigos eruditos ou promover conferências sobre o tema, seria da maior utilidade.
MADEIRA, VIDEO E LIVROS

Vou estar a partir de amanhã e até domingo na Madeira, para ajudar a coordenar a Maratona de Vídeo Magnavoce. Espero que muitos aspirantes a cineastas se inscrevam e, de câmara digital na mão se divirtam a receber alguma formação na área do cinema e a criar os seus próprios filmes. Inscrições em www.magnavoce.pt.
E, aproveitando a generosidade deste convite, aproveito para apresentar (com a ajuda de outros amigos) o RIO DA GLÓRIA, no Magnólia. Assim, os madeirenses estão todos convidados para ir no sábado (16h) até este espaço dar dois dedos de conversa e tomar contacto com o livro.

6 de novembro de 2006

SIMONE, DE VERDE





Quem se lembra de ter visto alguma vez imagens desta Simone jovem e a cores?
OLHO POR OLHO



A Humanidade está longe de ter atingido alguma coisa próxima da harmonia. Mata-se por castigo. Mata-se por não se ver outro caminho.
Sadamm está igualmente longe da santidade. Com virgens, ou não, à espera dele.